terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Motoristas param e pedem segurança


A bandeira preta na entrada do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários do Rio Grande do Norte (Sintro/RN) indicava o luto pela perda do motorista José Ferreira de Morais, de 47 anos – assassinado durante um assalto enquanto trabalhava na noite do último sábado. As filas de ônibus vistas nas avenidas Rio Branco, Bernardo Vieira e Ulisses Caldas simbolizavam o protesto da classe em busca de mais segurança no transporte público da grande Natal.

Todas as linhas de ônibus municipais – e intermunicipais que passavam por Natal – paralisaram os serviços por duas horas na manhã de ontem. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários (Sintro), Nastagnan Batista, está crescendo muito o número de assaltos a ônibus na Região Metropolitana de Natal. “A quantidade considerada “normal” seria de 5 casos de assaltos por mês a linhas de ônibus – em dezembro foram trinta”, denuncia, sem citar a fonte da estatística. “A categoria está em pânico”, desabafa.

Os motoristas aderiram em peso ao protesto. Um deles era Erinaldo Martins, da empresa Guanabara – a mesma que José Ferreira trabalhava. “Já sofri dois assaltos enquanto trabalhava no ano passado, um na linha 72 e o outro na linha 1117. Nós recebemos a recomendação de não reagir, mas isso não adiante de muita coisa. O protesto é válido se ele conseguir trazer mais segurança para o nosso local de trabalho”.

Para tentar montar uma estratégia de combater a violência contra motoristas, cobradores e passageiros do serviço de transporte urbano da Grande Natal, representantes do Sintro e da Polícia Militar se reúnem mensalmente. “Mas não está resolvendo o problema. Precisamos de uma delegacia especializada”, sugere o Nastagnan Batista.

Procurado pela reportagem da TRIBUNA DO NORTE, o coronel Alarico Azevedo, comandante do policiamento metropolitano negou que o número de ocorrências esteja em uma crescente, como afirmou Nastagnan, e classificou o episódio da morte do motorista como um evento isolado. “Temos registrado no Ciosp [Centro Integrado de Operações de Segurança Pública] cinco ocorrências no mês de dezembro, diferente do repassado pelo sindicato”

Os dois homens e dois adolescentes que assaltaram um ônibus da linha 13-B, da empresa Guanabara, por volta das 16h30 de sábado (8) e mataram o motorista José Ferreira, de 46 anos, foram detidos na mesma noite do crime, por volta das 18h, pela Polícia Militar.

acusados

Os assaltantes foram presos em lugares diferentes. Os homens são Edglayson Silva de França Bezerra, 21 anos, acusado de atirar no motorista, e Gilvanderson Gomes de Lima, o “Donato”, que com apenas 20 anos já é acusado de oito mortes. Ambos foram levados para o Centro de Detenção Provisória, onde serão encaminhados para um presídio. Os dois adolescentes foram encaminhados para o Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente (CIAD).

A paralisação pegou muitos usuários do transporte coletivo de surpresa. Os passageiros se viram obrigados a descer sem ser reembolsados pela passagem paga.

O auxiliar de serviços gerais, Francisco Lucrécio perdeu a paciência com o que viu: “Eu pedi licença do trabalho para resolver um assunto. Agora eu não sei o que faço porque eles não devolveram meu dinheiro e não conseguirei outra licença do trabalho”, prostetou Francisco, que estava na linha 22. A PM confirmou que um ônibus da linha 56 teve a janela quebrada em protestos devido a paralisação.

Alguns usuários reconheciam a importância do protesto. “Toda semana tem assalto a ônibus. Dessa vez quem morreu foi o motorista, mas poderia ter sido a gente. Muito bom que eles estão pedindo por segurança, isso nos beneficia”, afirmou a aposentada Crineuza Siqueira, de 64 anos.
FONTE-TRIBUNA DO NORTE

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